O que mais mata os brasilienses? No passado, a resposta seria: as doenças do mundo moderno. Mas, no presente marcado pela violência, o número de homicídios está prestes a se tornar a principal causa de mortes. De 2010 a 2011, enquanto as primeiras no ranking, como as doenças cardiovasculares, o infarto e a diabetes apresentaram uma pequena redução, passando de 906 para 904, o número de mortes por assassinato, que ocupa o segundo lugar, aumentou expressivamente. Pulou de 782, em 2010, para 900 no ano seguinte, um crescimento de 15%.
O alerta faz parte de um levantamento sobre as principais causas de morte no DF, produzido pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep), da Secretaria de Saúde.
Epidemias
O cálculo é inquietante. Em 2010, a média diária de óbitos por homicídios foi de 2,1 casos. No ano seguinte, ela cresceu para 2,4. Para a coordenadora do Núcleo de Estudos de Saúde Pública e professora de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB), Maria Fátima de Sousa, estes números estão perigosamente próximos aos registrados em epidemias.
A conta da violência é mais cara no orçamento da Saúde Pública. Segundo Maria Fátima, em geral, as vítimas nestes casos precisam de tratamentos e medicamentos de preços elevados. “É um custo altíssimo para internação. E alguns casos que não chegam a óbito terminam em mutilações naquele paciente, que vão levar a novos gastos por toda a sua vida, aumentando ainda mais a conta”, comentou.
A especialista lembrou que as vítimas de violência costumam demandar um tratamento bastante diferenciado. “Não é só uma questão de morrer ou ficar mutilado. A violência marca a vida da pessoa. E o sujeito exposto a ela fica mais frágil e precisa de certos cuidados”, explicou.
Ação intersetorial
De acordo com Maria Fátima, a diminuição destas mortes só será possível com uma ação intersetorial do Poder Público, tendo como referências as áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública. Nesse sentido, os esforços dos governantes teriam que se concentrar em medidas preventivas. Para tanto, a professora lembra que é preciso estudar as origens e localidades destes homicídios, justamente para a formulação de ações de prevenção mais eficientes.
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